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Seis coisas que você deve deixar de fazer antes dos 40 anos para depois não chorar

O diabetes mostra as garras, engordamos mais rápido, e as gengivas sofrem

Atualizado em 23/03/2016

Se você está prestes a iniciar a quinta década de vida, já percebeu que seu corpo não reage mais como antes: as ressacas, que antes duravam algumas horas, agora se prolongam; você talvez esteja ganhando peso sem nem perceber, e as pessoas recomendam com frequência cada vez maior que você vá ao médico. “A partir dos 40 ou 50 anos, um check-up anual ou semestral não é má ideia. É como passar pela inspeção veicular. Muitas vezes, por motivos de trabalho ou família, nos esquecemos de nos cuidar. O exame permite avaliar nossa saúde física e mental para tentar melhorar alguns hábitos no futuro”, diz Christian Shin, chefe da Unidade de Check-Ups Médicos do Hospital Universitário Quirón, de Madri. Mas isso não significa que seja a hora de peregrinar de médico em médico, apenas que alguns hábitos da juventude desenfreada precisam ser deixados para trás.
 
Coisas que acabaram:
 
1. Faltar na academia sempre que aparecer algo melhor para fazer.
 
Pode ser que até agora você achasse que correr é coisa de covardes. Não era preciso programar uma corrida diária nem se matar na academia para manter o corpinho de sempre, mas tudo o que é bom acaba. “A quantidade de gordura corporal aumenta de maneira constante após os 30 anos. As pessoas mais velhas podem ter quase um terço a mais de gordura do que quando eram jovens”, esclarece a Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos. Além disso, com a idade a massa muscular diminui, razão pela qual se limitar a passar diariamente da cadeira de escritório para o sofá já não é uma ideia tão boa. “Nessa idade, diminui o tecido magro. Os músculos, o fígado, os rins e outros órgãos podem perder algumas de suas células", observa Raquel Blasco, especialista em clínica geral no Centro Regional de Medicina Esportiva da Junta da Castilla y León (Espanha). Os excessos de uma dieta inadequada não afetam por igual todos os organismos, pois dependem da sua composição: “Podem ser armazenados como gordura ou como massa muscular. Com um estilo de vida ativo você adestra o corpo. Com uma vida ativa, o sanduíche de omelete vai engordar menos para uma pessoa que tiver 49% de massa muscular do que para quem tiver 30%.”
A quantidade de gordura corporal aumenta de maneira constante após os 30 anos, segundo a Biblioteca Nacional de Medicina dos EUA
 
Mas sem exageros: o exercício físico repentino acarreta riscos. A especialista desaconselha tentar imitar os colegas de treino mais veteranos. Segundo Blasco, a atividade física, como um remédio, tem dose recomendada, indicações, contraindicações e inclusive efeitos colaterais. A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda para os adultos e idosos um mínimo de 150 minutos semanais de atividades físicas aeróbicas moderadas ou 75 minutos de atividades vigorosas, ou uma combinação de ambas, distribuídas em sessões de mais de 10 minutos. Para aumentar os benefícios para a saúde, a OMS duplica esses tempos, ou seja, recomenda 300 minutos semanais de exercícios aeróbicos moderados ou 150 minutos de atividade vigorosa (podendo haver uma combinação entre os dois tipos). O truque está em introduzir a atividade na vida cotidiana: andar de bicicleta pela cidade, trocar alguns chopes por um passeio ou ir a pé fazer compras. Mesmo a nova crise dos 40 poderia passar pela compra de uma bicicleta. Nada de correr só aos sábados para descarregar a culpa por uma semana divertida. “Recuperar no fim de semana tudo o que foi perdido no meio da semana só serve para aumentar o risco de lesões graves”, destaca Blasco. Do mesmo modo, massacrar-se em corridas de 30 minutos por dia e passar o resto da jornada sentado no escritório, no carro ou em casa está muito longe de ser uma vida saudável. Para a médica, nada disso importa se no resto do tempo você se limita a ir da cadeira para o carro e vice-versa. Já ouviu falar de treino invisível? Aos 40, cada degrau conta.
 
2. Fumar um cigarro de vez em quando
 
É comum pensar que depois de muitos anos de hábito, é tarde demais para abandoná-lo. Pois bem, a ciência diz que não há um ponto sem volta (mas quanto antes parar, melhor). Segundo um estudo publicado pela revista The Lancet, quando alguém apaga seu último cigarro antes de assoprar as 40 velinhas no bolo, a probabilidade de morte prematura cai 90%. A pesquisa afirma que parar de fumar traz benefícios e aumenta a expectativa de vida em qualquer idade.
Parar de fumar antes dos 40 reduz o risco de morte prematura em 90%
“O tabagismo geralmente começa na juventude, gerando um mecanismo de dependência que faz com que seja cada vez mais difícil deixá-lo, a não ser que haja um claro convencimento de sua inutilidade e prejuízo”, afirma o clínico geral espanhol Vicente Baos. Cada cigarro contém cerca de 4.000 produtos químicos, entre eles o metanol, um componente da gasolina; o amoníaco, presente em produtos de limpeza; e o alcatrão, material usado no asfalto de ruas. Além deles, a nicotina provoca a necessidade de fumar.
 
3. Beber álcool sem pensar no dia seguinte
 
O consumo de álcool não é, a princípio, uma recomendação médica sensata. Mas às vezes nos esquecemos disso. E passamos de uma taça a outra, com os indesejados efeitos da ressaca chegando no dia seguinte. Quando somos jovens, isso não importa: essa liberação de toxinas costuma ser compatível com qualquer tarefa que tenhamos pela frente. Mas, aos 40, convém entender que um dia de ressaca será um dia perdido. Náuseas, arrepios, dor de cabeça, vômitos, mal-estar, enjoos... O motivo principal para que a sensação seja cada vez pior está na desidratação. “O álcool é distribuído com a água, e no organismo das pessoas mais velhas há menos quantidade, assim como ocorre no corpo das mulheres”, diz Francisco Camarelles, clínico geral e membro do programa de atividades preventivas e de promoção de saúde da Sociedade Espanhola de Medicina de Família e Comunitária. Como, com a idade, há mais gordura no corpo e menos água, o álcool se concentra com força e não se distribui pelo organismo. Por isso, um quarentão sempre vai precisar de mais água que uma pessoa de 20 e poucos. Trata-se de algo sério, porque a cada aniversário também diminui a sensibilidade à sede, como destaca o Instituto Europeu de Hidratação. A desidratação ajuda a evitar que a ressaca se torne um inferno. Mas se a água não é o seu forte, substitutos como uma sopa de legumes fria ou quente, ou o chá verde, têm um alto conteúdo de água e nutrientes.
 
4. Não ler o rótulo dos alimentos que compra
 
Uma pesquisa realizada na Espanha indicou que 19% dos consumidores do país não leem os rótulos dos alimentos que consome. Apesar de ser um mau hábito independentemente da idade, trata-se de algo que tem que acabar quando se chega aos 40. Afinal, um dos objetivos dessa iniciativa é regular a ingestão de açúcar e de sal, substâncias que nos mostram suas garras à medida que vamos envelhecendo. O risco de diabetes aumenta. E trata-se de uma doença traiçoeira, como recorda a clínica geral espanhola Rosa Iribarnegaray. “Em geral, sobretudo quando nos aproximamos dos 40, ela não causa praticamente nenhum sintoma. Mas o excesso de açúcar circulando no sangue de forma continuada prejudica tudo: o coração, os rins, a visão e a microcirculação”, afirma. A pressão arterial também se eleva com a idade, o que pode produzir hipertensão. O sal é um dos desencadeantes (a OMS recomenda não passar de 5 gramas por dia). E todas essas quantidades estão descritas nos rótulos.
 
5. Passar o fim de semana inteiro fechado em casa por pura preguiça
 
É possível que você nunca tenha se preocupado com a saúde de seus ossos, mas já está chegando a hora. A densidade e a qualidade óssea diminuem com a idade, de acordo com a Sociedade Espanhola de Reumatologia (SER). Com o tempo, a perda de minerais como o cálcio pode enfraquecer os ossos e criar osteoporose, a culpada pelas fraturas nos idosos. Além disso, para as mulheres, a menopausa não está tão longe (aproximadamente em torno dos 50 anos), o que agrava a diminuição da massa óssea.
 
A SER adverte que, apesar de a descalcificação atingir principalmente o sexo feminino, ninguém está isento de risco. A boa notícia é que os 40 continuam sendo uma idade ótima para apostar na prevenção. Que tal tentar a vitamina D? Um aporte regular desse micronutriente pode ser um grande aliado, segundo o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos. E aqui também se encaixa aquela ideia de sair para a rua, essa frase que os pais frequentemente repetem a seus filhos adolescentes, mas que seria mais conveniente se fosse o contrário. Isso porque a principal forma de obter vitamina D (ou seja, de apostar em ossos saudáveis) é através da exposição ao sol. Não pule o passeio diário (melhor ainda se for de manhã). E proteja-se. “Os diferentes tipos de radiação ultravioleta aumentam o risco de desenvolver câncer de pele”, recorda a dermatologista Rosa Taberner, do Hospital Son Llàtzer, de Palma de Mallorca. Não importa a idade.
Se você é mulher e está grávida, saiba que na maturidade será necessário cumprir as três escovações diárias, além daquela posterior a qualquer comida ou bebida extra
 
6. Ir para a cama sem escovar os dentes
 
Ao beirarmos os 40, existe mais risco de sofrermos da doença periodontal, um grave dano nos tecidos moles e nos ossos que sustentam os dentes. Para Bruno Baracco, dentista da Clínica Rosales de Estética Dental, na Espanha, o mais importante para preveni-la é “manter uma higiene rigorosa e não fumar, principalmente se na família há alguém que tenha sofrido dessa patologia, que tem um forte componente genético”. Ele acrescenta que o risco de sofrer dela é maior quando a pessoa sofre de diabetes.
 
Se, além disso, você é mulher e está grávida, saiba que na maturidade terá sempre que cumprir com as três escovações diárias, além daquela posterior a qualquer comida ou bebida extra. “Até nesses casos se eleva o risco de sofrer gengivite, a inflamação dos tecidos que suportam os dentes”, explica Baracco. Segundo ele, normalmente, esse risco diminui após o parto, “mas pode persistir em alguns casos”.
 
Os dentes se movem durante toda a vida e, segundo o dentista, eles tendem a se acavalar por volta dos 50 anos. “Os dentes têm um crescimento residual. Apesar de o acavalamento leve ser um problema puramente estético, a mudança do contato entre os dentes pode fazer com que se acumulem restos entre eles, provocando cáries”, diz Baracco. “Visitar o dentista regularmente – pelo menos uma vez por ano – permite que ao especialista detectar o início das doenças bucais (cáries incipientes, inflamação das gengivas) e evitar seu avanço. Além disso, é recomendável retirar o tártaro que se acumula com o tempo”, explica Rocío Barrios, dentista e professora de Odontologia Preventiva e Comunitária na Universidade de Granada (Espanha). A especialista recorda que a escovação é o mais importante, e que os enxaguantes antissépticos não devem ser usados rotineiramente. “Seu uso prolongado pode gerar efeitos colaterais, como o tingimento dos dentes e a perda do paladar”.
 
E não vamos falar de sexo?
 
Pode respirar aliviado. Apesar de algumas coisas acabarem, o melhor está para chegar: a década dourada do sexo. Os motivos são muitos, como expõe a psicóloga Nuria Jorba: “Desfrutar de uma boa saúde física, ter uma situação socioeconômica estável e favorável, a diminuição de obrigações familiares, uma comunicação positiva com o parceiro, a aceitação das mudanças físicas, uma vida social ativa... Tudo isso se soma”. Principalmente para quem cumprir as recomendações anteriores. Um estudo da Universidade de Harvard (Estados Unidos) aponta que atletas homens diminuem seu risco de disfunção erétil em 41% apenas com 30 minutos de caminhada diária. E aí começamos novamente.
 
Fonte: El Pais