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Pesquisa aponta que exercício extremo pode causar envenenamento do sangue

Especialistas monitoraram pessoas que participaram de uma série de provas de resistência extrema e descobriram que o exercício excessivo pode levar o vazamento de bactérias intestinais para a corrente sanguínea

Atualizado em 08/07/2015

Especialistas da Universidade de Monash, na Austraulia, monitoraram pessoas que participaram de uma série de provas de resistência extrema e descobriram que o exercício excessivo pode levar o vazamento de bactérias intestinais para a corrente sanguínea, provocando envenenamento do sangue. 
O estudo, liderado pelo Dr. Ricardo Costa, do Departamento de Nutrição e Dietética, é o primeiro a identificar uma ligação entre o extremo exercício de resistência e o estresse, avaliando como estes fatores podem afetar a integridade do intestino.
As amostras de sangue colhidas antes e após os acontecimentos, em comparação com um grupo de controle, mostraram que o exercício durante um período prolongado de tempo provoca mudanças na parede do intestino, permitindo que bactérias presentes naturalmente no intestino, conhecidas como as endotoxinas, vazem para a corrente sanguínea. Isso, então, desencadeia uma resposta inflamatória sistêmica a partir de células imunológicas do corpo, semelhante a um episódio de infecção grave.

Exercício na medida certa
Significativamente, o estudo constatou que os indivíduos que estão em forma, saudáveis e seguem um programa de treinamento constante para construir até provas de resistência extrema, desenvolvem mecanismos imunes. Para compensar, sem quaisquer efeitos colaterais.

No entanto, os indivíduos que participam de provas de resistência extrema, especialmente no calor e com pouca formação, colocam seus corpos sob enorme pressão acima da capacidade de proteção do organismo. Com níveis elevados de endotoxinas no sangue, a resposta do sistema imunitário pode ser muito maior do que a contra-ação protetora do corpo. Em casos mais intensos, leva à síndrome de resposta inflamatória sistêmica da infecção grave induzida, que pode ser fatal se não for diagnosticada e tratada precocemente.
"Quase todos os participantes de nosso estudo apresentaram marcadores do sangue idênticos aos pacientes internados com infecção grave. Isso porque as endotoxinas bacterianas que vazam para o sangue como resultado de exercício extremo acionam células do sistema imunológico do corpo em ação."
O estudo reforça as orientações para pessoas que querem participar de provas extremas de resistência. "É fundamental que quem se inscrever para um evento, verifique as condições de saúde em primeiro lugar e construa um programa de treinamento lento e constante, em vez de saltar diretamente para uma maratona, por exemplo, com apenas um treinamento de um mês", orienta o Dr. Costa.
A equipe de pesquisa descobriu que as pessoas que estavam mais aptas e treinadas por um longo período de tempo tinham níveis mais elevados de interleucina 10 ­ um agente anti­inflamatório, o que lhes permitiu amortecer o impacto negativo de saúde resposta imune.
A próxima fase, a equipe do Dr. Costa realizará mais pesquisas para compreender plenamente em qual grau os exercícios extremos, com ou sem calor, impactam a integridade e função do intestino. Eles também irão investigar e desenvolver estratégias para prevenir e gerir danos intestinais e sintomas causados por exercício e estresse por calor.

Fonte: Monash University, International Journal of Sports Medicine & Exercise Imunologia